“Eu sei o quanto fui chata ontem, mas é assim quando eu tiro a blusa, não há como não reclamar da minha falta de peito. Por dentro eu tenho um peitarão, um milhão de peitos, Rafaelli Bong Bong. Super e altamente siliconada, interiormente falando. Coração grande, sabe como é. Mas por fora é isso, cem gramas de mexirica pocan, e eu sei amor, eu sei que não consigo me adequar nesse mundo de tempos modenos demais pra mim. E eu gosto tanto da cara que você faz quando me olha com pouca roupa, ou com roupa nenhuma, ou cheia de roupas mas com bem menos na sua imaginação. Não levo fé quando você diz que me acha linda e gostosa e bonita e legal-pra-caralho, mas eu gosto das tuas mentiras, ou das tuas verdades que soam tanto como não-verdades. É que eu não acredito, e não é com você David, é com todo mundo, mas o pouco de confiança que aindam me restou, o restinho de farelo do pão no prato, essa mísera e minúscula quantidade eu deposito em você, porque você gosta dos meus pés. Você gosta dos meus pés David, e isso me faz confiar mais em você do que em qualquer um que eu já pude confiar antes. Você nunca reclamou do quão desproporcinais eles são em relação as minhas pernas e todo o resto do meu corpo. Você diz que meus dedinhos são bonitos, mesmo compridinhos, fininhos e estranhos, você gosta deles. E, às vezes no silêncio da noite, eu fico imaginando nós dois… Vai, pode cantar no ritmo, eu deixo, eu adoro, porque quando você canta baixinho nos meus ouvidos eu toco o céu. Eu saio do chão, literalmente, e não porque me encontro no teu colo, mas é como se eu não estivesse mais aqui, sabe? Mas mesmo assim estivesse com você. E continua, continua me irritando e tentando me fazer admitir que eu estou gamada, gamadinha-da-silva, apaixonadérrima, mas eu não vou dizer, e não encare isso como um “eu não vou sentir”. Porque eu sinto, eu sinto mesmo essa porra de gamação, de paixão ou sei lá o quê, mas eu gosto desse teu jeito de arrotar e falar sobre pum e merda de um jeito tão nojento mas que me faz rir. Esse teu jeito porco me faz feliz David, mas eu não vou dizer. Eu não vou dizer que gosto de tudo e desse tanto de coisas, porque eu tenho medo de gritar pra você, de estapear seu rosto e seu coração, falando pra você, e pra sua vó e pra sua irmã e pra sua mãe que eu tô amando, que eu tô gostando demais desse garoto que eu conheço há 18 dias. Eu tenho medo, medo de você desistir de mim, porque talvez seja mais legal me conquistar do que já me ter conquistada. Talvez você veja aventura em ganhar aos poucos o coração de alguém do que tê-lo inteiro na mão. Talvez você faça o tipo de que curte uma caminhada, mas que quando chega lá no topo já está enjoado, e se não há mais morro pra subir que caia rolando. Mas eu não vou dizer. Caramba, você não entende patavinas. Eu dou todas as pistas, você liga tudo, e essas coisas fazem o maior sentido do mundo, mas quando você me pergunta, eu nego. Eu não nego rindo e brincando, eu nego com a maior convicção que Deus me deu, e falo pra mim mesma: “Pera Rafi, agora é pra valer, faz ele acreditar na tua mentira, na tua única mentira, já que não tens coragem de mentir qualquer outra coisa pra ele!” E você não compreende. Você faz cara de tacho, David, você pensa: “Não é possível, eu sou tudo o que elas querem. Eu sou tudo o que ela quer. Não sou o tipo malhado nem loirinho dos olhos verdes, mas as garotas me taram, as garotas suspiram e mexem comigo na rua quando dou um rolé de skate. Porque justo essa, essa menina de peito pequeno, coração grande e que curte Caetano, porque ela não gosta de mim?!” Eu não vou dizer.”